Lady Bird: a hora de voar

Aluna: Thaís Midori (1E)

Quando foram anunciados os indicados ao Oscar, Lady Bird foi um dos filmes que, ao ler a sinopse me chamou a atenção, mas que não me despertou tanto interesse assim, a ponto de eu tirar um tempo da minha semana corrida para ver. Acabei deixando de lado essa opção pra ver filmes que julguei serem mais interessantes como Me Chame Pelo Seu Nome.

Porém, quando tive um tempo livre, decidi dar uma segunda chance ao filme, que me surpreendeu muito e que me deixou muito tocada com a verossimilhança da obra com a vida, já que pude me identificar inúmeras vezes com a personagem principal.

A protagonista do filme é Christine “Lady Bird” McPherson, uma jovem que se encontra no último ano do colégio e que quer estudar longe de sua cidade, Sacramento, na Califórnia, mas que não obtém o apoio de sua mãe nessa decisão, já que a mesma, tenta ser realista com a filha, o que desencadeia inúmeras discussões o tempo todo, ao longo do filme. Ela, como possui uma personalidade forte, não desiste facilmente, e continua com a ideia na cabeça. No decorrer do filme, mostra-se o amadurecimento da personagem, que passa coisas comuns entre a adolescência e a vida adulta, como o namoro, sexo e amizade.

Decidi ver o filme, de repente, pois já havia me decidido que iria vê-lo algum dia, então, numa tarde qualquer, procurei o filme na internet, já que não estava cogitando ir ao cinema para assistir, pois minhas expectativas para o filme não estavam muito altas, mesmo que uma amiga tivesse me recomendado, porque gostara muito do filme. Talvez, por não estar esperando muito, acabei me surpreendendo, me emocionando e me identificando em muitos momentos com a Lady Bird, que mesmo não tendo a mesma idade que eu, passa por uma fase de amadurecimento, e sobretudo quer alçar voo e ser livre para seguir seus sonhos (por isso Lady Bird, nome que foi dado e ela por ela própria).

Passei a tarde inteira assistindo ao filme, pois muitas vezes o pausava para refletir como Lady Bird se assemelhava a mim, não só por conta da personalidade, mas também por conta de ela estar amadurecendo durante o filme, assim como eu estou. Ela se assemelha a mim ao criar expectativas que são praticamente irreais; ao brigar com os pais (no caso dela, com a mãe) que só querem evitar frustrações por conta dessas expectativas, evitando um “choque de realidade”; o fato de ela se sentir péssima por não entender matemática, mas se esforçar para melhorar; o fato de ela se apaixonar facilmente e as desilusões amorosas que ocorrem por conta dessas paixões. Enfim era quase como se eu me enxergasse nela, como se estivesse fazendo parte do filme, não apenas como telespectadora, mas sim como se eu fosse parte da Lady Bird ou como se ela fosse parte de mim – uma catarse!

Algo que me emocionou muito durante o filme foi a construção da relação entre mãe e filha, que estão em constantes brigas e é quase uma relação de amor e ódio, mas não se pode negar o amor existente entre as duas. A cena em questão que mais me emocionou, foi em uma situação em que ambas, estão em uma loja e acabam entrando em mais uma briga, até que a filha pergunta e mãe se gosta dela. A mãe responde que quer que a filha seja a melhor versão dela mesma.

Meia-noite em Paris, de Woody Allen

Aluna: Yasmin Barbosa (2B)

Ao analisar a lista de filmes divulgada pelo professor, o título “Meia-noite em Paris” soou de certa forma familiar a mim. Não sabia exatamente o porquê, mas minha atenção foi despertada. Inicialmente, pensei que o motivo seria o fato de que tal título, em minha perspectiva, remete a algo de caráter romântico, com o qual me envolvo mais facilmente. Entretanto, ao pesquisar a respeito do filme e ver seu trailer, me dei conta de que no ano passado meu professor de arte havia mostrado um trecho da obra. Devido à rotina corrida, apesar do interesse, acabei me esquecendo e não assisti ao filme.

Nesta nova oportunidade, sentindo-me em débito comigo mesma, resolvi dedicar um tempo para refletir e fazer algo que eu realmente goste. Nesse aspecto, ver que essa obra estava na lista de indicações do professor “caiu como uma luva”. Não se trata de um filme que comumente eu iria assistir, até porque não costumo gostar de obras que remetem ao passado, porém a abordagem deixou-me curiosa – há a menção a diversos artistas consagrados em uma espécie de aventura que o protagonista vive.

O filme conta a história de Gil Pender (Owen Wilson), que vai para Paris a passeio com sua noiva Inez (Rachel McAdams), aproveitando-se de uma viagem de negócios de seu sogro que, a propósito, nunca aprovou o relacionamento. Lá a mulher encontra um velho amigo de faculdade pelo qual era interessada e ele, juntamente com sua esposa, guia o casal por pontos turísticos. Durante todo o tempo, esse amigo demonstrava de maneira arrogante os seus conhecimentos sobre as obras e os locais que visitavam e Inez não consegue esconder seu interesse por ele.

A partir desse momento fica evidente que, apesar de estarem às vésperas do casamento, Gil e sua futura esposa são muito diferentes: ele, um roteirista de Hollywood, não gosta dos trabalhos artificiais que produz e está escrevendo um romance, cuja inspiração para tal parece florescer em Paris, cidade onde seus ídolos viviam nos anos 20; ela, como se estivesse cega de admiração por seu “amigo”, não compreende a paixão do marido e o repreende sempre que este demonstra vontade de morar no local.

Certo dia, Gil decide caminhar sozinho pelas ruas da cidade e, momentos depois de se sentar para descansar na frente de uma Igreja, um carro antigo para em sua frente e os passageiros insistem para que ele entre. Ele chega à festa e se dá conta de que está na presença de seus ídolos da literatura francesa dos anos 20 – Scott, Zelda Fitzgerald e, principalmente, Hemingway, seu maior ídolo, para quem pede que leia seu romance.

No dia seguinte, Gil está perplexo diante de toda a situação e não sabe se a experiência realmente aconteceu. Vai para o mesmo local no mesmo horário e tudo se repete – inclusive ele se apaixona por uma namorada de Picasso. Na “vida real”, descobre que está sendo traído por sua noiva e eles cancelam o casamento.

A história me trouxe ansiedade em diversos momentos, principalmente quando Inez aparece no momento em que ele está saindo do hotel com um presente em mãos para entregar para a mulher por que está apaixonado e, tentando disfarçar, inventa uma desculpa. Por outro lado, me fez ranger os dentes em cada um dos momentos em que aparecia o homem pelo qual Inez “era” apaixonada, tendo em vista seu egocentrismo e prepotência.

Assisti à obra sozinha, em minha cama, no notebook. Simplesmente eu e o filme. Gostei tanto que foi como se eu estivesse na pele do protagonista. Por um lado, há a necessidade de mascarar tudo o que ele viu, já que sua noiva vai simplesmente pensar que ele está louco (como de fato pensa) e, por outro, os sentimentos são tão intensos que dá vontade de gritar para o mundo.

Me identifiquei com o fato de que, na maior parte das vezes, no mundo globalizado atual, produzimos coisas que não refletem realmente a nossa essência, não fazemos as coisas para viver e sim para sobreviver. Há uma necessidade de ceder, pelo menos por um momento, aos verdadeiros desejos e paixões, como faz Gil ao andar por Paris.

Woody Allen, diretor do filme em questão, costuma sempre representar mulheres marcantes, inteligentes, complexas, como a dama do passado pela qual Gil se apaixona. Ele tenta sempre criar referências culturais em suas obras, no caso, os vários artistas mencionados e suas vidas e na maioria dos casos coloca um ritmo de jazz ao fundo nos seus créditos. Apesar disso, em “Meia-noite em Paris”, não é necessário ter um grande repertório para compreender a trama.

Recordando as minhas aulas de literatura, percebi uma característica dos poetas românticos muito marcante no protagonista, apesar dos artistas mencionados e toda a trama não pertencer a tal escola literária (Romantismo). O escapismo é algo evidente em Gil, que procura fugir da sua realidade marcada pela produção de roteiros que não refletem o que ele realmente busca – o que o público hollywoodiano procura em uma produção cinematográfica não faz parte da essência deste homem e do que ele considera importante, por isso ele se diverte tanto fugindo dessa vida. Além de sua futura esposa não ter olhos para ele e seu trabalho não trazer emoções, o “amigo” de Inez faz com que ele passe por constrangimentos a todo momento.

O diretor, Woody Allen, com atores do filme.

Memorial da Resistência

Aluno: Uriel Tiago Picinato de Assis – 2D

Para o 3° bimestre de 2018, irei relatar como foi minha experiencia ao visitar, no dia 29 de julho, o Memorial da Resistência. Realizei esse passeio com a minha irmã e com minha mãe, optamos por utilizar o transporte público, ônibus e trem, para chegar até a estação da Luz, um lugar marcado pela representação da decadência da vida humana. Ficamos entusiasmados em visitar esse museu para conhecer um pouco mais sobre um passado dolorido, causado pela ditadura militar vivenciada no século passado.

A ditadura militar no Brasil iniciou-se com um golpe de Estado no governo de João Goulart, acusado de comunista. Instaurou-se um governo militar, o qual foi responsável por enfraquecer o Estado de direito e minimizar a intuições democráticas do país. Durante o governo militar, a liberdade de expressão foi o direito mais fragilizado, fato explicitado, pela criação do Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo – Deops/SP, órgão responsável pelo controle e repressão dos cidadãos, considerados rebeldes, pois organizavam movimentações politicas populares contrários ao governo vigente. Atualmente, o edifício utilizado como sede desse departamento é ocupado pelo Memorial da Resistência, o qual manteve os documentos e representações de sofrimento dos antigos presos políticos em sua exposição, fazendo com que o passado não seja esquecido.

Ao visitar o museu, podemos conhecer o ambiente em que muitas vítimas da ditadura sofreram com a repressão, através de perseguições, torturas e até com a morte. Logo que entramos no museu, deparamo-nos com um ambiente que mostrava todas as instituições de repressão espalhadas pelo país. Junto as fotos desses locais, havia textos informativos, os quais explicavam qual era função de cada instituição e em alguns casos, os mais bárbaros crimes cometidos contra a vida humana. Além disso, o Memorial, reconstruiu, em suas instalações, três celas idênticas às utilizadas pelos presos do Deops . Nessas celas, o que seguramente mais impressiona são os nomes e frases gravados em sus paredes: cada palavra e nome lidos nesse ambiente remetem ao quão dolorido e sofrido era passar dias torturantes dentro daqueles pequenos e sufocantes espaços. Encontramos também no museu algumas salas com documentos e relatos audiovisuais. 

A repressão, cometeu diversos atentados contra a vida humana. Considero extremamente injusto ao menos não comentar as cenas que vi no pequeno trajeto da estação da Luz até o edifício do Memorial. Ainda dentro da estação de trem, encontramos diversas mulheres, meninas e travestis, em uma situação degradante, causada pelo crack, que estavam vendendo seu corpo em troca de uma pequena quantidade de dinheiro que, provavelmente, seria utilizada para comprar mais drogas. Além disso, as ruas ao entorno do museu são marcadas por pessoas desfiguradas que ficam perambulando sem rumo algum, as quais evidenciam a negligência a vida desses humanos, que não possuem, no mínimo, seus direitos mais básicos, o que lhes tornam, verdadeiros abandonados. Ao vivenciar essas cenas, passei um longo tempo me perguntando onde estavam os direitos sociais daquelas pessoas e, também, por qual  motivo uma pessoa se submete a tal situação, de verdadeira decadência da vida humana.

Fazer esse passeio foi algo muito bom, pois me permitiu conhecer um pouco melhor a verdadeira história da ditadura militar e como esse período foi extremamente prejudicial para o povo de nosso país. Porém, o que tornou esse passeio extremamente gratificante foi a reflexão que ele me permitiu sobre a valorização da vida humana. Depois desse dia, percebi o real valor das coisas mais simples de nossa vida, como a nossa liberdade que, infelizmente, esteve ausente na vida daqueles presos políticos devido à oposição que realizavam ao governo vigente e, também, está ausente na vida daquelas pessoas que estão presas ao vício do crack, fato que os colocaram, ainda mais, à margem da sociedade e tornou as suas vidas verdadeiras representações, da degeneração humana.

 

“Carinhoso” (Pixinguinha)

Alunos:  Sarah Eilen Carvalho da Silva (2E), Guilherme Ziroldo (2A), Piero Gomide (2C), Gabriel Ziroldo (1A) e Felipe Suzuki (2E).
Autora do texto: Sarah Eilen Carvalho da Silva (2E). 

Herdeira da segunda geração da bossa nova e das raízes folclóricas, a Música Popular Brasileira, ou a MPB, surge essencialmente na década de 1960, porém suas influências musicais datam desde muito antes. Em virtude da fusão de tão variadas culturas desde o período colonial brasileiro, esse estilo musical baseou-se nas tradições europeias, africanas e indígenas. No final do século XIX, seguindo a batida rítmica do lundu africano, a melancolia das modinhas portuguesas e os passos da dança de salão européia, o choro ou chorinho foi criado. Alicerçada com as raízes do choro, a bossa nova foi fundamental para que a Música Popular Moderna – como anteriormente fora conhecida a MPB – fosse criada, uma vez que a harmonia melódica e sofisticação da Bossa Nova expressam-se de forma notável nas músicas desse gênero em questão.

Alastrada por meio do Festival de Música Popular Brasileira, um concurso anual de canções originais que teve seu ultimato em 1969, a MPM tornou-se popular por entre estudantes e intelectuais, ficando conhecida como “a música da universidade” e colaborando para a alteração do nome para Música Popular Brasileira, como é conhecida atualmente. Perdendo parcialmente seu sentido preliminar graças a muitas influências culturais, se tornou difícil caracterizá-la, problema que estende-se até a contemporaneidade. Apesar de suas perdas, esse estilo acabou fazendo parte do perfil dos estudantes, a música passou a representar os jovens pensadores no final da década de 60 e início da década de 70, transparecendo nas canções seus desejos radicais e insubmissíveis. Recobrando seu inicial perfil nacionalista, esse gênero musical contribuiu para com os movimentos contra a ditadura militar instaurada no país no ano de 1964. O simbolismo revolucionário da música não passa despercebido durante a repressão cultural, interferindo no modo que o povo via a situação do próprio país por meio das músicas e de muitos conteúdos censurados neste período de pura doutrinação militar.

O fato mais interessante é que, fundamentados em um ambiente hostil e estéril resultante da censura, os cantores e compositores conseguem firmar raízes e fazer crescer o plantio que anteriormente não crescia com tanta persistência quanto crescia naquela época de ditadura. Muitas vezes, novos estilos musicais são criados em ambientes hostilizados e repressores e o resultado é extraordinário. Não somente estilos musicais se encaixam nesse sentido, mas também a literatura, a pintura, a arte como um todo. Todos os 21 anos, sofridos anos, de ditadura contribuíram para que a ascensão da Música Popular Brasileira fosse copiosa.

Colocando a história da Música Popular Brasileira em perspectiva, vemos a importância que trouxe à sociedade brasileira. Dentre os artistas que fizeram e fazem parte dessa trajetória musical temos uma lista demasiadamente grande contendo os nomes de soberbos artistas como Edu Lobo, Vinícius de Moraes, Elis Regina e Milton Nascimento. Contendo outras vertentes, esse estilo musical abrange atualmente estilos como o rock, soul e o funk, acompanhado de cantores e compositores como Gilberto Gil, Tim Maia e Gal Costa. Entretanto, devo chamar atenção para um dos pioneiros da MPB: o queridíssimo Pixinguinha.

Alfredo da Rocha Vianna Filho, conhecido como Pixinguinha, viria a ser um dos mais renomados cantores, músicos e compositores de todos os tempos. Nasceu dia 23 de abril de 1897, no Rio de Janeiro, e logo aos seus onze anos começou a sua estrada pelo mundo da música tocando cavaquinho e, sem demora, o pai notou seu talento. O menino não tarda a aprender flauta e, posteriormente, saxofone, desencadeando na profissão de Pixinguinha como músico no Teatro Rio Branco. Acompanhando o aprendizado musical de Alfredo, suas composições também tornam-se destaque, cuja primeira a ser publicada em 1914 chamava-se “Dominante”, um tango de sua autoria.

Formou-se, em 1919, um grupo chamado Oito Batutas, no qual Pixinguinha – como flautista – e seu irmão, China – vocal e violão – , faziam parte. A banda destacou-se pelo Brasil e afora, obtendo grande prestígio até que em meados da década de 1931 o grupo acabou por se dissolver definitivamente.

Pixinguinha, ao seus 20 anos, lança um choro instrumental chamado Carinhoso, sendo terrivelmente injustiçado em razão de não ter sido bem aceito pela crítica no seu lançamento. As críticas fundamentavam-se na fixa ideia de que, naquela época, os choros tinham três partes obrigatoriamente, enquanto Carinhoso obtinha somente duas, além de ela ter uma sonoridade mais puxada para o jazz americano, o que deixou os críticos muito insatisfeitos. Quando o tenor, cujo acervo musical possui mais de 60 obras, morreu em 17 de fevereiro de 1973, encerrou-se, assim, uma vida de incríveis 75 anos de pura música.

Motivados com a abertura do sarau do 3º ano do Ensino Médio de 2018 sobre o Festival de Música Brasileira, resolvemos apresentar a reprodução de Carinhoso do Pixinguinha, buscando as raízes da Música Popular Brasileira.

Nosso grupo de músicos encontrou-se para que pudéssemos tocar Carinhoso, composta por Pixinguinha e letrada por João de Barro, no dia 2 de setembro de 2018. Concordamos alguns dias antes que a música seria, mais especificamente, a versão da Marisa Monte com Paulinho da Viola, para que todos estivessem familiarizados com ela e, chegando o dia da gravação, todos já sabiam seus papéis e suas partes. Ficou estipulado que o Guilherme Ziroldo (2ºA) ficaria no teclado e cantaria, o Piero Gomide (2ºC) ficaria no baixo, o Gabriel Ziroldo (1ºA) na bateria, o Felipe Suzuki (2ºE) na guitarra e, finalmente, eu no vocal. Novamente digo que não é fácil ser vocalista, uma vez que qualquer erro pode arruinar a música. Felizmente, desta vez cantando Carinhoso, a pressão foi menor do que com o que aconteceu com Frank Sinatra. Mesmo sendo músicas cujas vozes são fortes e empoderadas, todas são únicas e cada uma tem seus pontos positivos e negativos para quem as escuta. A meu ver, a voz da Marisa Monte não tem muitos pontos negativos, o que deixa a música mais desafiadora, porém sua voz não se compara com o barítono Frank Sinatra quanto ao nível de desafio, pelo menos para mim. Após a gravação da música, passamos a tocar as músicas que mais gostamos – rock, obviamente – e o dia se encerrou com nosso grupo de músicos mais que contentes por termos gravado sem nenhum erro (notável).

Mosteiro dos Jerônimos (Portugal)

Aluna: Gabriela Santo Azzolini – 1F 

Nas férias de julho deste ano, eu e meus pais viajamos ao nosso tão sonhado destino, Portugal. Lá, tive a oportunidade de aprender muito sobre a cultura europeia  e sobre as ligações do local à história brasileira. Ainda, pude ter contato com pessoas dos mais diversos lugares do mundo, conhecer cidades, desde as que preservam suas heranças medievais (como Óbidos) até as mais urbanas e contemporâneas, além de experimentar novos sabores de uma rica gastronomia. Foram muitos os lugares que visitei, mas, sem dúvidas, um dos mais interessantes foi o Mosteiro dos Jerônimos, situado em Lisboa.

Este é um mosteiro do estilo manuelino (do Renascimento em Portugal) localizado na praia do Restelo, no bairro de Belém, construído durante o reinado de D. Manuel I, no século XVI, com vista às expedições que dali partiriam em 1497, com Vasco da Gama para as Índias, e em 1500, com Pedro Álvares Cabral para o Brasil, de forma que os navegadores receberiam assistência espiritual antes da viagem. Na época, a entrada do mosteiro era extremamente próxima ao rio Tejo, exatamente com o objetivo de dar bênçãos aos navegadores dos Descobrimentos, antes das viagens. Hoje, já, a parte da frente deste é mais distante deste rio, o qual teve uma parte aterrada neste trecho séculos mais tarde da construção.

Minha visita ocorreu durante a manhã do dia 2 de julho. Apenas observando a fachada do mosteiro, já havia me encantado. Era muito grandioso, apresentava um belo jardim à sua frente, e então a praia, e tinha muitos detalhes. Ao entrar, a primeira coisa que fiz foi olhar pra o teto e para as grandes colunas existentes. Ele era absolutamente gigantesco e riquíssimo em detalhes, os quais fui percebendo com o passar do tempo e relacionando com a história portuguesa da época que fora construído. Logo na entrada, há dois túmulos; o que se localiza à direita é uma sepultura vazia de Luís de Camões, o maior poeta e “pai” da língua portuguesa; e o da esquerda é de Vasco da Gama, um dos principais “descobridores”. A igreja deste mosteiro apresenta uma planta em cruz (tradicional à época), composta por três naves: uma maior na vertical, que se refere ao corpo e maior parte do monumento, onde está a capela-mor, a qual é de estilo maneirista (movimento nas artes entre o Renascimento e o Barroco); e duas menores horizontais onde se encontram sepulturas e cenas da Paixão de Cristo. Ainda, nas paredes, há grandes e coloridos vitrais.

O que mais me chamou atenção foi o teto, os detalhes existentes nas colunas e as esculturas presentes nas portas espalhas pela igreja do mosteiro. O teto é constituído por uma extensa abóbada polinervada (não lisa) suportada por seis pilares, sendo surpreendente por sua grandiosidade. As colunas são altas e cobertas por diversos ícones, principalmente por esferas, umas com uma cruz no centro, representando a cruz de cristo, e outras com diversas linhas em volta que mostrariam a união dos locais do mundo.  Além disso, as portas apresentavam seus batentes esculpidos com diversas cabeças de índios e reis, representando a descoberta e o domínio de novos territórios, como do Novo Mundo, pelos portugueses.

Mesmo a visita tendo sido a um mosteiro, neste analisei, principalmente, as referências históricas, e não tanto seu caráter religioso momentâneo. Acredito, realmente, que ele seja um ponto que quem for a Lisboa não pode deixar de conhecer, devido aos seus valores e à experiência incrível que propicia. Ele é um marco histórico da época das Grandes Navegações, apresentando a busca do homem por novos conhecimentos, unido à religiosidade do momento.

Por fim, logo que sai do Mosteiro dos Jerônimos, segui para a conhecida confeitaria dos Pastéis de Belém, próxima dali. Pude saborear, então, este maravilhoso doce da culinária portuguesa , dando fim a meu passeio.

Nas imagens acima: entrada do mosteiro, túmulo de Camões e detalhe das abóbadas. 

Slam das Minas

Aluna: Jade Cardoso Raimundo – 2E

Slam Resistência é um evento que acontece toda primeira segunda feira do mês na Praça Roosevelt, no centro de São Paulo. O objetivo do encontro é apreciar poesias autorais dos candidatos que disputam entre si, sendo julgados por jurados da plateia escolhidos pelos organizadores. Tal iniciativa promove a ascensão de vozes que não são ouvidas normalmente e permite que as pessoas tenham a oportunidade de se expressar através da fala e gestos corporais.

 Eu conheci o Slam Resistência através de uma amiga, a qual me enviou vídeos de participantes recitando. Ao ver o conteúdo, me intriguei com a proposta e resolvi pesquisar mais sobre o evento, pelo qual me apaixonei completamente. Já faz aproximadamente um ano que eu acompanho os vídeos no canal Sociedade Dos Poetas Subversivos e pelo facebook Slam Resistência. Foi por esse meio, que eu me inteirei sobre a poetisa Mel Duarte, a qual admiro muito e que me levou a conhecer o Slam das Minas, organização que possui o mesmo objetivo que o original, entretanto, só as mulheres podem recitar.

 O Slam das Minas ocorre em diversos locais do Brasil. A batalha à qual eu fui aconteceu no jardim do Museu da Imigração, que está localizado no Brás. Para chegar até o local, peguei o trem e metrô com três amigas e andei uns 10 minutos até alcançar o lugar. Ao entrar no Museu, me deparei com um belo jardim e uma fonte com estátuas venustas. O clima que o lugar propusera era extremamente aconchegante. Após algum tempo, as poetisas chegaram para iniciar o show e eu fui escolhida para ser uma das juradas. O embate de palavras começou e, conforme as poesias eram recitadas, mais eu me encantava com a magia dos discursos e da dialética utilizada brilhantemente pelas autoras. Os temas eram variados, mas os mais recorrentes eram relacionados ao feminismo e a crítica da sociedade preconceituosa. A artista que mais me chamou atenção foi a baiana Fabiana D’Alcântara, a qual recitou as poesias de forma inspiradora e possuía um conteúdo abrangente e conveniente.

É importante ressaltar a relevância de organizações como essa, que dão visibilidade as pessoas e chances dessas exporem seus pensamentos e opiniões. Além disso, o Slam possibilita a discussão de assuntos contemporâneos pertinentes, os quais deveriam ser debatidos em outros lugares como, por exemplo, nas escolas. Na minha visão, seria necessário que o ambiente escolar dispusesse tempo para que questões que afetam nossa realidade fossem analisadas. Dessa forma, os estudantes teriam o senso crítico e o ativismo apurados.

O Slam e a poesia me influenciam de tal forma que resolvi escrever um texto baseado em experiências que eu tenho no cotidiano na linguagem de batalha. Espero que goste.

 

Às 18 horas

São 18 horas
A lua se revela no céu
Negro como meus devaneios
Encoberto pelas nuvens
As quais se assemelham a um véu
Translúcido, ainda pode-se ver seu interior
Mesmo que tente esconder
É visível seu esplendor 

Luzes artificiais são acesas
Disputando com a celeste apagada
Sobressaem-se com clareza
E dão vida e beleza
A uma paisagem já consumida pela tristeza

Pelo ônibus ponho-me a observar os semblantes
E que vistas agonizantes!
Cansaço e estresse encubados na expressão
Daqueles que esperam o sinal verde
Postos a depressão 

Diante disso, surge uma indagação
Será que eu estarei no lugar deles daqui alguns anos?
“O vazio sem esperança”
Reflete a mediocridade instalada no sistema
American Way Of Life é uma constante lembrança
Alienação de uma sociedade que não enxerga o problema 

Será que serei assim?
Abdicarei os meus sonhos para viver
Viver não, sobreviver
E contribuir para uma instituição que não tem percepção
A qual dispõe a visão de números,
Porém não possui compaixão
Milhares estão sendo mortos
A cada minuto mais um
Enquanto tu lias essa poesia
Uma bala reluz
Não acertando o dono,
Mas sim aquele que produz 

Sistema hipócrita
Promete oportunidade
Meritocracia é o que dizem acreditar
Entretanto, sucumbem a realidade
Falam que todos estão no mesmo patamar

O sinal abriu
Os carros partiram
A reflexão sumiu
E ainda são 18 horas

Elza Soares – “Deus é Mulher”

Aluna: Vitória Torres Nunes – 2A

Era uma vez Elza Soares, que lá em 2015, lançou aquela deliciosa mistura que foi a essência do álbum Mulher do Fim do Mundo. Quem olhasse a sua capa feia, dicromática e sem graça, e só nela ficasse, uau, estaria perdendo uma grande obra-prima, cheia de análises culturais e históricas. Não sendo somente isso, nem rock, nem samba, nem psicodélico, nem rap e nem eletrônica, Mulher do Fim do Mundo se caracterizou como o povo brasileiro é: aquilo que tem de tudo. Não foi à toa que a obra de Elza ganhou o Grammy Latino, a honra de melhor música do ano (com Maria da Vila Matilde) segundo a Rolling Stones Brasil e ainda foi indicada a diversas outras grandes premiações.

Com o tamanho sucesso, já era de se esperar que Elza adotasse de vez esse estilo de música em seu próximo álbum. Contudo, apesar de pertencer ao mesmo corpo de crítica que Mulher do Fim do Mundo, Deus é Mulher se mostra apenas como um braço, um apêndice apontado para uma só direção: feminismo, como o próprio nome já indica.

Para falar a verdade, pareceu-me mais que o álbum era apenas sobre uma mulher revoltada, que se cansou de tudo e que agora não está nem aí para nada, nem para o que pensam dela e nem para o que ela pensa. Não foi sobre a tal da sororidade e essa foi a novidade, o charminho, o perfume que fica depois que se abraça.

A seguir, uma breve análise de algumas músicas das quais gostei bastante:

Canção “O que se cala”

Elza também retoma o tema miscigenação com os versos “Mil nações/ Moldaram minha cara”, mas o foco é o fato de que o povo de seu país denigre justamente aquilo que lhe permite a voz, o lugar de fala. Sua incredulidade é mais que esclarecida nos diversos questionamentos que faz acerca do comportamento estúpido de muitos brasileiros: “Pra que explorar?/Pra que destruir?/Por que obrigar?/Por que coagir?/Pra que abusar?/Pra que iludir?/E violentar/Pra nos oprimir?/Pra que sujar o chão da própria sala?”

Canção “Banho”

Essa é a minha favorita e é um daqueles famigerados casos em que o compositor só juntou umas palavras que combinavam e que, quando cantadas numa boa entonação e voz, ganham de fato algum sentido. No geral, o tom rude (notável pelos palavrões) e ironicamente seco de Elza mostra o quão de saco cheia da vida ela está e o quanto ela não se importa com os outros, pois agora o que importa é o que ela pensa. Apesar da letra maravilhosamente doida, esse sentido que dei é explícito nos versos “Eu não obedeço porque sou molhada” e “Minha lagoa engolindo a sua boca/Eu vou pingar em quem até já me cuspiu, viu”.

Canção “Língua Solta”

Se o despudor da língua não foi completamente efetivado na canção “Eu quero comer você”, a sua indiferença a qualquer agrado de educação se mostra nessa música: “Mas eu digo sim, que sim pro que eu quiser/Sexo, pêlo, prego e futebol/Puta, presidente e cardeal”.

Canção “Um Olho Aberto”

Eu sinceramente amei o descaso dos versos “Ora, cara, não me venha com esse papo sobre a natureza” e “Cada um inventa a natureza que melhor lhe caia”. Resposta digna para quando não se quer ouvir as sandices tal da Teoria Queer nas aulas de atualidades e para rebater os naturalistas. No geral, é um ótimo meio de encerrar assunto.

Canção “Clareza”

Para mim, essa deveria ser a primeira música do álbum, como um prólogo. Afinal, trata de quando o princípio de dúvida se instala e do fruto do pensar daí gerado: a clareza. Esse álbum, portanto, anuncia então um despertar para a independência, como já demonstra os versos: “Vem na tardinha se mostrar/De repente anunciar/A ilusão que se perdeu”. A ilusão, creio, é de que a mulher não é capaz.

Enfim, o tom feminista está justamente nessa ousadia de “estou pouco me lixando para tudo e todos”. Foi como se essa figura de saco cheio mostrasse o quanto as mulheres estão cansadas de opressão e regras, e agora só querem fazer o que bem entenderem. Muito mais inovador e legal do que o já tornado clichê da sororidade (tema que envolve auto-aceitação e união, saturados de mais do mesmo), não é mesmo?

No todo, o álbum é rude, grosso, despudorado. É mesmo um braço que parte de um corpo de críticas para dar um murro no seu nariz e ainda esperar você se levantar só para cuspir na sua cara depois. Mas tudo bem, pois só leva porrada os desatentos à atualidade e destes apenas sofrem aqueles que não aceitarem o curativo que é a mensagem da canção “Deus há de ser”, que fecha o álbum, e fecha aferida, mas tem a gentileza (finalmente uma!) de deixar a marca e o susto.

Pinacoteca de São Paulo

Aluna: Thaís Monique Melchior Baena – 2E 

Eventualmente, vou a alguns lugares do centro de São Paulo, porém, mesmo assim, minha mãe e eu nunca havíamos visitado a Pinacoteca. É um museu que sempre tive vontade de conhecer, mas nunca havia tido a oportunidade. Portanto, para a atividade cultural deste bimestre , optei por conhecê-lo. Fiquei muito impressionada com a grandiosidade do museu, tanto externamente como por dentro. É enorme e muito bonito! Não sabíamos que a Pinacoteca reunia vários acervos de diversos artistas. A visita torna-se mais rica ainda, já que se tem a oportunidade de visitar várias galerias diferentes em um só lugar, e, além disso, apreciar as esculturas que embelezam os corredores do museu. Particularmente, sou apaixonada por esculturas,
mais do que por pinturas. E eu adorei todas as esculturas que vi! Elas eram muito diversificadas, consegui reconhecer esculturas de diversos momentos da história da arte. Algumas muito detalhadas, outras mais simples; algumas em tamanhos reais, outras exageradamente grandes. Mas todas elas, admiráveis.

A primeira galeria em que entrei foi a de Hilma af Klint, que, inclusive, era bem extensa. A exposição chama-se “Mundos Possíveis”. A artista viveu entre os anos de 1862 e 1944, e é atualmente considerada uma pioneira da arte abstrata, mas seu trabalho permaneceu desconhecido durante a maior parte do século XX.

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Hilma cursou a Real Academia de Artes da Suécia entre 1882 e 1887, fazendo muitas pinturas de paisagens. Depois de um tempo, se distanciou de sua formação acadêmica para pintar os mundos invisíveis, que tinham uma temática espiritual. Em 1904, recebeu uma proposta para trabalhar com pinturas sobre o plano astral. Ela aceitou, e deu início a sua série de obras intituladas Caos Primordial, que são bem interessantes. Nessas obras, ela ilustra, através das cores dos quadros, estações do ano, sentimentos e a natureza. Formas de espirais são muito recorrentes em todas as pinturas dessa série, e são ilustradas em qualquer espaço da pintura. Existem várias hipóteses sobre a presença dos espirais nessas obras, como as de que eles podem representar ondas de rádio, crucifixos ou códigos de DNA. As obras que datam 1907 da série “As dez maiores” estão entre as que mais me chamaram atenção em toda a galeria.

Por fim, as obras de Hilma af Klint por que eu mais me interessei foram as três telas finais da série “As pinturas para o templo”, chamadas “Os Retábulos”. A série abrange 193 pinturas, sendo dividida por coleções, como o Caos Primordial, já citado. Essas pinturas estavam expostas em um ambiente separado das demais. Era uma sala com paredes escuras, e holofotes acima dos três quadros, destacando-os. Em frente a eles, um banco. As pessoas entravam, sentavam e ficavam em silêncio por minutos admirando as obras. Pinturas que remetem aos templos religiosos, estavam, praticamente, dentro de um! Transmitia-se a sensação de que todos que estavam ali, e isso me inclui, cultuavam aqueles quadros. Foi arrebatadora a atmosfera criada pelo
museu para expor as obras! Elas têm um conjunto de cores, o círculo e o triângulo equilátero diagramados de uma maneira ímpar em cada uma delas. É incrível como esses aspectos do quadro guiam o seu olhar debaixo para cima, de cima para baixo, ou começando pelo centro da pintura. É fantástico!

A segunda galeria em que entrei  traz obras do período da Vanguarda Brasileira dos anos de 1960, e é uma coleção de Roger Wright. Foi, sem hesitação, a galeria que nós mais gostamos de visitar! A maioria das obras eram mais interativas, algumas “3D”, utilizando materiais alternativos, saindo dos limites da pintura convencional. Penso que essa seja a maior diferença entre as galerias da Hilma af Klint e da Vanguarda Brasileira: as obras da Hilma af Klint são abstratas, algumas de difícil interpretação, não se sabe exatamente a mensagem que a artista queria transmitir através das obras. Já nesta coleção do Roger Wright, as obras têm temáticas relacionadas ao período em que foram feitas, e, desta forma, tem-se uma noção maior da ideia que é transmitida pelo quadro. Gostei muito de todas as obras desta coleção, com destaque para algumas, como uma obra feita inteira com canudinhos. Chama-se Cinzas, porque nela há canudinhos cinzas e brancos. De perto, percebe-se que são canudos, mas de longe dá uma ideia de ser uma massa, ou uma espuma, é muito diferente! Outra obra denominada Reina Tranquilidade me chamou atenção por serem várias faces e em cada boca estava escrito SIM, representando uma manipulação em massa.

As últimas duas galerias as quais eu entrei, eram sobre a Tradição Colonial e a outra sobre o Barroco brasileiro. Na primeira, muitas pinturas belíssimas, ricas em detalhes, que representam os escravos, e os colonos aqui no Brasil. Algumas obras, eram de artistas internacionais que nunca haviam visitado a América, mas representavam o Brasil em suas pinturas. Logo, essas ilustrações demonstram uma boa relação entre os colonizadores e os indígenas, o que se sabe que não ocorria; os indígenas são representados com características e traços de um europeu. Havia também algumas obras que representavam a paisagem sob olhar do colonizador, ou seja, a natureza era ilustrada perfeitamente, principalmente o Rio de Janeiro, já que essas obras eram mandadas para a Europa, a fim de transmitir a mensagem de que a colônia era um lugar lindo agradável.

Ao sair desta última galeria, quase na saída do museu, deparo-me com uma obra enorme. É a “Tunga: Tríade Trindade”, que é constituída de metais, imãs, tem cinco metros de altura e quatro toneladas de peso. A obra representa a trindade divina, que consiste na ideia de um único deus que é o pai, o filho e o espírito santo, e por isso a utilização de imãs, já que se forma uma unidade. E pode também fazer uma alusão ao corpo humano, em que todas as partes são conectadas e fazem com que o organismo funcione.

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MASP e a representatividade feminina na arte

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Aluna: Laura Cortes Modes – 2C 

No dia dez de março, fui ao MASP (Museu de arte de São Paulo) junto com um grupo de amigos, incluindo duas meninas polonesas que estavam fazendo intercâmbio no Brasil.  Por conta da presença delas, aprendi a visitar lugares, como o próprio museu, com um olhar turístico. E durante as duas semanas que passaram por aqui, percebi a quantidade de cultura e beleza que São Paulo apresenta, percepção que a rotina não nos deixa ter.

As polonesas estavam muito ansiosas para conhecer o MASP, pois lá fora ele é reconhecido como um museu cheio de obras de renomeados artistas e apresenta grande diversidade artística. Começamos pelo segundo andar, onde há exposições fixas do acervo. Lá, encontram-se obras maravilhosas e muito famosas, por exemplo pinturas de Portinari e Vincent Van Gogh. As polonesas ficaram maravilhadas com a exposição e com a forma original com que as obras são expostas: por conta da brilhante ideia da arquiteta Lina Bo Bardi de  selar as obras em cavaletes de vidro, e não em paredes opacas, as pinturas parecem estar flutuando, como se estivessem suspensas, criando uma sensação de leveza.

Estava achando todas as obras muito lindas e maravilhada com o museu, mas no final do segundo andar me deparei com uma informação:

Das 122 obras que existem no MASP, apenas 4 são de artistas femininas. E essa estatística não muda se observarmos outros lugares do mundo: por exemplo, o MET, museu reconhecido de Nova York, apresenta apenas 5% de artistas femininas e 85% de nus femininos. Ou seja, mulheres não têm espaço no mundo da arte pois não são reconhecidas como artistas e, sim, como musas.

Por conta dessa mentalidade machista, que nos rodeia desde muito tempo atrás,  artistas mulheres são desvalorizadas e por mais talento que elas tenham, nunca serão mais reconhecidas que um homem. Infelizmente, essa realidade não acontece só dentro do mundo da arte, mas em toda sociedade. A mulher nunca teve voz e poder de mudança, contudo, cada vez mais pessoas se juntam para lutar por igualdade de gênero.

O cartaz exposto no MASP foi criado por um grupo de mulheres que, atualmente, vêm lutando por essa igualdade dentro do mundo da arte. Elas são chamadas de Guerrilla Girls, e usam máscaras de gorilas para não serem identificadas, assim podendo ter maior liberdade de expressão. Elas já passaram por vários países, e em 2017, foi a vez do Brasil.

Nosso país apresenta péssimas condições de igualdade de gênero e infelizmente, no ano passado, caiu 11 posições no ranking mundial (Relatório de Desigualdade Global de Gênero 2017), ficando em 90º lugar. A baixa participação feminina política foi a principal causa da queda no ranking. Com isso, podemos perceber que mulheres brasileiras estão longe de conseguir alcançar a igualdade.

Esses fatos são comprovados dia após dia dentro da nossa sociedade. Por exemplo, o triste acontecimento no Rio de Janeiro, que envolveu Marielle Franco, mulher que lutava por igualdade, não só de gênero, mas em prol de todas as minorias, foi morta. Mas a morte não aconteceu por causa de qualquer assalto do Rio, foi um crime político, o Estado a matou, a sociedade a matou. E só aconteceu pois ela possuía um cargo político, ou seja, ela tinha poder de mudança. E no mundo em que vivemos, mulheres não podem ter esse poder. Por trás da morte de Marielle, milhares de mulheres brasileiras morrem todos os dias, por serem mulheres e por quererem direitos.

A arte reflete tudo o que acontece na sociedade, então, conseguimos entender o porquê de não existir representatividade feminina dentro do mundo artístico. Mas, tendo como exemplo as Guerrilla Girls, Marielle e todas as brasileiras que lutam por igualdade de gênero, temos que continuar apoiando e lutando pelo espaço das mulheres na nossa sociedade.

Se não fosse o cartaz, nunca teria refletido que naquela sala com várias obras apenas quatro eram de artistas mulheres. E a partir de agora, irei reparar em todos os museus sobre a representatividade feminina na arte.

 

 

“Café Society”, de Woody Allen

Aluna: Cíntia dos Santos C. da Silva – 1A 

O filme “Café Society” se passa na década de 1930, e retrata a rotina de um jovem judeu chamado Bobby, que decide sair de Nova York, onde morava com sua família, e ir para Hollywood tentar uma carreira na área cinematográfica. Seu tio, Phillip, é um grande produtor na cidade, então Bobby tenta convencê-lo a ajudá-lo a conseguir algum trabalho. Phill acaba por contratar o sobrinho para alguns trabalhos pequenos dentro de seu escritório, e pede para que sua secretária, Vonnie, mostre a cidade para ele.

Bobby acaba se apaixonando por Vonnie, sem saber que a garota era amante do tio. Depois que este termina seu caso com a secretária, Bobby tenta fazer com que ela o esqueça.

O filme vai partir deste romance e das aspirações de Bobby para seguir com a narrativa, que mostra a alta sociedade dos anos 30 de uma forma que permite ao telespectador sentir-se inserido naquele mundo e na própria história.

Embora o enredo seja envolvente, como fã de romances mais intensos, “Café Society” acabou me decepcionando. A história entre Bobby e Vonnie é bem clichê, entretanto isto não é exatamente o problema, mas sim o jeito como a narrativa dos dois se desenvolve e termina. O filme está na categoria “Romance”, então acabei criando expectativas para um romance de tirar o fôlego, o que este não é!

Na minha opinião, se a história tivesse tomado um rumo diferente e tivesse privilegiado um pouco mais a história romântica, o filme seria mais emocionante. Conforme ele foi se desenvolvendo, eu realmente fiquei curiosa para saber como terminaria a narrativa, porém, não senti a emoção que os romances geralmente me causam. Portanto, acho que não classificaria “Café Society” como um verdadeiro romance, mas sim um drama leve. Por já conhecer histórias com a trama parecida, acho que a forma a qual o filme se desenrolou foi o que o tornou previsível e meio frustrante para mim.

Mesmo não tendo gostado do romance do filme, achei que ele traz uma bagagem cultural ótima, por conta da forma com que a elite da época foi representada. A trilha sonora e a palheta de cores escolhida também refletem uma elegância característica das narrativas da década de 30, o que fez com que eu me sentisse totalmente inserida na história. Também achei que alguns personagens poderiam ter sido mais bem explorados, como, por exemplo, a prostituta que aparece logo no início do filme, quando Bobby chega em Los Angeles. Inclusive, do meu ponto de vista, a história teria se tornado bem mais interessante se o romance fosse entre ele e Shirley.

Apesar de tudo, gostei do filme e pesquisando um pouco sobre as obras de Woody Allen, encontrei outros filmes que parecem ter o romance explorado de maneira um pouco mais intensa, o que me deixou curiosa para assisti-los.

Woody Allen nasceu em 1935 e iniciou sua carreira como comediante e fazendo stand-ups, e depois acabou indo para a área cinematográfica. Muitos de seus filmes têm como protagonista um judeu nova-iorquino, como é o caso de “Café Society”.